sábado, 9 de maio de 2015

Ser como você

Querida mamãe,

uma das frases que mais ouvia você dizer era "você vai entender  quando for mãe". Tenho que confessar que desde que me tornei mãe, pude compreender melhor algumas coisas. Entendi por que sou seu hamster, experimento de laboratório, cobaia. Aprendi que não existe mãe perfeita, mas sim um amor perfeito. 

Muitas vezes me pego pensando nas coisas que fazíamos juntas e que quero fazer com minha filha, e me lembro o quanto gostava de me vestir como você. Adorava te imitar. E meu sonho era ser como você. Mãe. Porque pra mim é isso que você sempre foi e sempre vai ser. Acima de qualquer outra coisa, profissão, ou posição, você é mamãe.

E é a pessoa em quem eu posso confiar, apoiar, contar e pedir ajuda. É minha melhor e maior amiga! Minha companheira pras horas que eu preciso, meu colo. E somos tão parecidas as vezes. Teimosas, assim. 

Entendi o que é se doar, assim, completamente e amar fazer isso. Mas já entendia que mães eram assim, porque você nunca mediu esforços. E agora sei porque você virava onça quando alguém maltratava a gente.

Agora entendo o instinto materno, aquele sentimento que mostra o que devemos fazer. Afinal, a gente não vem com manual de instruções. Cada situação é única e cada filho é único. Por isso você dizia que "sentiu". A gente sente mesmo, né, mamãe? 

Então hoje queria te agradecer e te dizer que minha admiração por você aumentou. Afinal, foram 36 meses grávida!!! 

Você é um grande exemplo pra mim. A melhor mãe do mundo. Espero ser pra Bella um pouquinho do que você é pra mim.

Feliz dia das mães.
Te amo

Camillinha



















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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Bella - Primeiro trimestre

Há uma semana pequetita completou 3 meses. Não tenho como descrever como minha vida mudou nesse tempo. São muitas novidades, rotina nova, muita alegria, muitos sorrisos e muitas mordidas!
Bella é um bebê muito tranquilo, quase não dá trabalho. Teve cólicas dos 20 dias até 1 mês e meio, quando comecei a dar o Colikids pra ela, que funcionou milagrosamente. Em alguns dias as cólicas passaram e, mesmo depois de 3 semanas (quando parei de dar o remédio), elas nunca mais apareceram! (:
Ela tem se desenvolvido muito bem, é saudável, esperta e super sorridente. Adora brincar, tomar banho e banhos de sol. Mama só leite da mamãe e tem crescido direitinho. Acorda pouco de madrugada e dorme bem durante o dia também. Agora decidiu que só dorme no berço, abraçando o bichinho que tia Carla deu.
Tem sido dias felizes!! Amo ser mãe e cuidar dessa princesinha!
Segue abaixo o acompanhamento que tenho feito dela a cada consulta no pediatra.









quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sobre amamentação

Sempre soube que queria amamentar meus filhos. Não só porque o leite materno é o mais saudável, mas também pelo vínculo afetivo que se forma entre mãe e filho.

Durante a gravidez li muito sobre o assunto e achei todos os tipos de dicas possíveis, mas a única coisa que fiz para preparar os seios foi usar a concha depois da 33a semana de gravidez para ajudar a formar o bico e estimular a produção de leite e depois da 38a semana comecei a bombear leite para estimular o trabalho de parto. Eu sabia que seria difícil no início, não só por tudo que li, mas também por me lembrar da experiência da minha mãe quando Stella nasceu. Eu tinha 12 anos, então me lembro do sofrimento dela no início e no desmame, quando Stella tinha 1 ano e 3 meses.
Mas nada disso foi suficiente pra eu saber quanta persistência e força de vontade teria que ter no início.

Quando Bella nasceu a primeira mamada foi na primeira hora de vida, assim que ela saiu, veio pro meu colo e mamou. Nós duas ali, nos conhecendo, meio desajeitadas, depois de horas trabalhando juntas, trocando os primeiros olhares e sentindo o cheiro uma da outra. Doía um pouco, mas eu não sabia se a pega estava certa ou errada ou se o colostro estava saindo. Mas nunca me preocupei se era o suficiente. Sabia que era. Na manhã seguinte eu estava na enfermaria e lembro de perguntar pras outras mães se elas também estavam sentindo dor na hora de amamentar e todas disseram que sim.
Fui pra casa e aí a jornada começou de verdade. Ela mamava 1 hora  ou 1 hora e meia sempre. Eu deixava ela no mesmo peito pra ela receber o "leite magro" e o "leite gordo", como havia sido instruída. Lembro que nos primeiros dias era difícil saber o que doía mais, os seios, os pontos ou as costas de ficar tanto tempo segurando ela na mesma posição. O bico do peito direito rachou um pouco, mas sarou logo, sem pomada; só usava o próprio leite para ajudar na cicatrização. Ela não gostava muito desse peito, preferia o esquerdo.

Quando veio a apojadura (primeira descida do leite) meus peitos ficaram gigantes, empedraram e ficaram um pouco quentes. Doía muito e eu vivia encharcada. Desisti dos absorventes pra seio, as conchas vazavam sempre que eu deitava ou abaixava, então passei a usar fraldas descartáveis. Eu tirava um pouco sempre que ela mamava e colocava gelo pra diminuir a produção de leite. 
Uma coisa que me surpreendeu foi o cansaço. Sempre que amamento (principalmente no primeiro mês) eu me sentia EXAUSTA! Parecia que tinha corrido uma maratona! De fato amamentar emagrece. Acho que por isso. Sabia que dava sede, mas não sabia o tanto de água que beberia. Bebia 4 ou 5 litros por dia no primeiro mês. Depois reduzi pra 3 e agora bebo 2. Toda vez que ia amamentar, o Thiago já trazia uma garrafinha de água pra mim, esperava eu beber e enchia de novo porque sabia que era instantâneo.

Eu não senti nenhum prazer em amamentar no primeiro mês. Um dia ela começou a chorar de fome e eu chorei de desespero dizendo "Não sei de onde eles inventaram esse 'prazer de amamentar'. Dói demais!" O Thiago não sabia quem acudia, mas quando ele ameaçou sair pra comprar fórmula, eu disse "Não, me dá ela aqui." e coloquei ela no peito chorando. 

De fato o tal "prazer de amamentar" existe e ele chega. As vezes parece que aquela dor vai durar pra sempre, mas ela vai embora e amamentar se torna maravilhoso. O bebê aprende melhor, a mãe aprende melhor, os seios "calejam" e passamos momentos maravilhosos juntos. Hoje em dia a Bella mama em 10 minutos, meu corpo produz leite suficiente pra ela e vaza bem menos, não me sinto tão exausta e saber que meu corpo produz o melhor alimento pra ela me dá uma sensação incrível.
Adoro quando pego ela, ela começa a mamar, olha pra mim e dá aquele sorriso e passa a mãozinha no meu peito, quando ela dorme mamando e quando ela acaba de mamar e fica com aquela cara de bêbada. 

São momentos preciosos, então queria dizer pras mamães de plantão que vale a pena ter paciência e persistência, porque a dor passa e o que vem depois é recompensador e não tem preço.







quinta-feira, 12 de março de 2015

Mudanças

Ainda não descobri se gosto ou não de mudanças. Nunca quis crescer, se pudesse teria ficado criança pra sempre. Tem momentos que eu gostaria de congelar. Mas ao mesmo tempo, não consigo ficar no mesmo lugar, preciso sempre de uma motivação e um sonho pra correr atrás pra ser feliz, senão me frustro rapidamente.

Já faz mais de um mês e meio que minha pequetita nasceu. E eu posso dizer que encontrei minha vocação. AMO ser mãe. Amo nossos dias juntas e amo saber que essa coisinha depende de mim e que fui eu que fiz e eu que carreguei por 41 semanas e eu que dou o alimento que ela precisa. E ela está crescendo. Não sei como me sinto com isso. Cada dia é melhor que o outro, mas quando eu pego ela e vejo que ela já não é mais tão frágil, me dá um aperto no peito por pensar que logo ela não vai mais depender tanto assim de mim.

Olho pra minha mãe e penso em como ela deve se sentir. Ela, que dedicou a vida dela pra nos criar. Como deve se sentir ao ver uma filha casada, outros dois na faculdade, um indo pra missão e a outra virando moça? Penso em quando ela brincava com a gente, cantava pra gente dormir e fazia dever com a gente... Agora as coisas mudaram. E agora estou indo embora.

O Thiago foi aprovado para fazer doutorado em 2 universidades nos EUA.  Foi muita dedicação e suor. Muito estudo e tempo e dinheiro investido pra realizarmos esse sonho, mas  embora fosse um sonho nosso há muito tempo, não vai ser fácil e não tem sido fácil lidar com os sentimentos que tenho

É muita alegria e muito pesar ao mesmo tempo. Penso nos benefícios que teremos morando lá e nas oportunidades que teremos quando ele terminar os estudos. Mas penso também nas coisas que vamos perder, e pior, que a Bella vai perder. Ela não vai crescer com os primos e almoçar na casa dos avós no domingo. Ela não vai dormir na casa deles e não vai sair com os tios pra tomar sorvete. E são tantas coisas que eu desejo pra ela que ela não vai ter. Coisas que eu vivi e que morro de saudade.

Mas mudanças vêm. Elas são necessárias e importantes e precisamos delas pra crescer. É preciso sacrifício e trabalho duro pra colher frutos lá na frente.
Estamos felizes, animados e empolgados! Sei que vai ser bom pra nossa família, mas meu coração dói e tento viver intensamente cada dia durante esses 4 meses que temos aqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Relato de Parto - sem cortes

Esse é o relato completo da nossa experiência no parto. Aqui conto inclusive as experiências espirituais que tivemos. Caso não se interesse, vou escrever outra versão, mais curta depois.


O PREPARO

Desde que nos casamos procuramos sempre tomar nossas decisões em conselho com o Senhor. No início de 2014 passamos pela maior provação do nosso casamento até então. Durante uma das vezes que suplicava ao Pai Celestial que me desse paz e ajudasse a compreender os propósitos Dele, eu disse “Pai Celestial, o que devo aprender com essa provação? Quero aprender logo para que ela passe porque já não aguento mais. Se isso for para nos mostrar que chegou o momento de dar o próximo passo e termos um bebê, pode mandar. Já não tomo pílula há quase um ano.” Nosso plano era esperar mais um ano para engravidar, pois estamos novos e não tínhamos pressa. Ao terminar a oração, li um discurso do Elder Robert D. Hales de Novembro de 2011 – Esperar no Senhor: Seja Feita a Tua Vontade. E consegui desenvolver um pouco mais de paciência.
No mês seguinte engravidei. Descobri no final de maio e fiquei muito feliz e assustada. Um misto de emoções. Mas meu sonho sempre foi ser mãe, então aceitei a ideia muito feliz e comecei a me preparer pra isso.
Durante a gravidez eu e Thiago pesquisamos muito a respeito do parto, amamentação, educação para crianças, estímulos, etc e nos apaixonamos juntos pela ideia de parto humanizado, natural e respeitando a mãe, o bebê e a natureza. Eu sempre disse que queria um parto normal, mas que se precisasse faria cesarea e nesse momento de pesquisas eu percebi que precisava decidir o que queria e lutar por aquilo. Precisava acreditar que era capaz, ter fé e confiar no Senhor.
Tive uma gravidez maravilhosa, curti cada minute com minha pequena e me apaixonei varias vezes por ela. Nao tive nenhum problema ou alteração. Ela se desenvolveu bem e eu me adaptei bem também.
Já estava determinada a ter um parto normal, o mais natural possível e conversei com meu medico a respeito. Algumas coisas que ele pensava eram diferentes das que eu pensava, mas por confiar e gostar dele, eu estava disposta a abrir mão.

A ANSIEDADE

A data prevista pra ela nascer (40 semanas) era dia 15 de janeiro. Janeiro se aproximava e todo mundo estava  na expectativa, ansiosos pra conhecer nossa mocinha. Eu já estava na 38a semana e nenhum sinal de parto. Fazia exercícios, caminhava, ficava na água quente, tudo o que eu podia pra estimular o meu corpo. Um dia, muito aflita, pedi ao Thiago para me dar uma bênção do sacerdócio. O que eu queria era paz e tranquilidade. O Thiago se preparou e me deu uma bênção maravilhosa, dizendo que o Pai Celestial estava feliz comigo e que eu teria o parto que eu queria e que traria a Bella ao mundo com dor e através dela eu a amaria como Ele me ama. Quando ele terminou a bênção nós dois ficamos perplexos e eu me apeguei a essa promessa para viver as próximas semanas.
Todo início de ano o Thiago me dá uma bênção e 2015 não foi diferente. Na nossa noite familiar de metas, ele me deu uma bênção e reafirmou todas as promessas feitas na bênção que tinha me dado antes.
O tempo foi passando e nada do meu corpo reagir, mas eu ainda tinha certeza de que o Senhor cumpriria a promessa Dele e que ia dar tudo certo e eu teria um parto normal, mas eu sentia que seria provada até o ultimo minuto. 40 semanas. Fomos ao medico e ele disse “o colo do seu útero continua grosso e fechado, ela ainda não encaixou. Mas como vocês duas estão muito bem, vamos esperar mais uma semana.” Saí de lá com um pouco de medo. Eu tinha 6 dias pra fazer meu corpo reagir e dar sinais de parto. E a essa altura, muita gente já estava me pressionando, dizendo que era perigoso esperar mais, que eu era irresponsável, que já tinha passado a data. Eu sabia que ela estava bem e era isso que importava. Eu tinha que confiar no Senhor, afinal Ele tinha prometido, a bênção tinha sido muito clara.

A SENTENÇA

Eu não dormi durante a semana seguinte. Me deitava e o sono não vinha, me levantava e ia pra cadeira de balanço e passava horas orando ao Pai Celestial que me desse força e fé e pedia que no dia seguinte meu corpo desse algum sinal de parto. Numa dessas noites eu disse a Ele em uma das orações “O Senhor prometeu que eu teria o parto que eu queria. Meu corpo tem que reagir, porque o medico não vai esperar mais” e eu senti bem mansinho “o parto com o seu medico não é o parto que você quer”. Só que depois de quase 41 semanas de pré-natal, eu não considerava mudar minha opção.
A data da consulta chegou, era um dia antes de completar 41 semanas. Não conseguia nem converser com o Thiago, fui muda o caminho inteiro, morrendo de medo do que eu ouviria, mas com a esperança de ter alguma dilatação. O medico examinou, ouviu o coração dela e disse que ela estava ótima. Sentamos na mesa e ele disse que sabia que eu queria muito um parto normal, mas que não seria possível e faríamos a cesárea no dia seguinte. O Thiago perguntou sobre indução e ele respondeu impaciente que eu não tinha chance de pegar indução e que não teria um parto normal. Eu nem consegui responder. Fiquei ali sentada, vendo ele preencher os papéis da cesarea e ouvindo as instruções sobre jejum absoluto, internação, anestesia, tudo o que eu não queria no meu parto. Senti minha fé vacilar. Quando entramos no carro eu desmontei. Chorei como nunca antes, foi o choro mais amargo que já senti. Doía minha alma e eu não conseguia parar.

O DESESPERO

O Thiago nem foi trabalhar. Ficou comigo e tentou me consolar, dizendo que ainda dava tempo e eu poderia entrar em trabalho de parto até o outro dia. Para mim não tinha mais jeito, a sentença tinha sido dada e era aquilo. O problema não era simplesmente a cesárea, mas sim o fato de que nós duas estávamos bem, não tinha motivo para indicar a cirurgia e tínhamos nos preparado tanto para aquele momento. O fato era que tínhamos recebido uma promessa, à qual me apeguei até aquele momento, com toda a fé que eu tinha. Então eu vi minha fé vacilar, me senti sozinha e desamparada. Não conseguia compreender por que o Pai Celestial havia feito uma promessa que não cumpriria. Foi o pior dia da minha vida, foi a pior dor que já senti. Num determinado momento eu disse pro Thiago “tenho certeza que nem o parto pode doer tanto. Essa dor é insuportável.”e ele sofreu comigo cada minuto, e chorou também.

ESPERANÇA

As 23:00 eu continuava chorando muito e o Thiago teve o impulso de me dar outra bênção. Ele já tinha sentido outras vezes ao longo do dia e ignorado, ele também estava fraco e inseguro e chegou a duvidar das bênçãos que havia dado e questionado sua dignidade. Mas dessa vez o impulso foi forte e ele se levantou da cama, vestiu as roupas de domingo, colocou as mãos na minha cabeça e me deu uma bênção. No início ele me abençoou para ter paz e naquele momento eu senti o espírito santo me consolar e o ambiente da casa mudar, minhas lágrimas pararam e eu pensei na expiação e pude sentir Jesus Cristo ao meu lado e soube que o Pai Celestial não havia me abandonado. Ele prosseguiu e terminou a bênção ordenando ao meu corpo que reagisse, que a bolsa rompesse e as contrações começassem. Senti minha fé restaurada e quando ele tirou as mãos da minha cabeça eu me levantei e disse “Vamos andar”. 
Descemos para o estacionamento do condomínio e ficamos andando e conversando por mais de uma hora. O clima era outro, não estávamos mais desesperados, existia uma nova esperança, uma luz e sentimos nossa fé ser revigorada.
Acordei no dia seguinte e o céu estava lindo, muito sol, pouca nuvem e eu estava feliz. Acordei o Thiago e disse “É hoje! Hoje vamos conhecer nossa filhinha!” Lanchamos e fomos fazer uma caminhada. Caminhamos bastante pra ver se estimulava o meu corpo, mas nada aconteceu. Por volta das 10 da manhã o Thiago disse “Precisamos de uma segunda opinião, vamos em outro hospital.” Nós dois já sabíamos qual hospital seria, já que havíamos pesquisado muito sobre ele e chegamos até a considerar fazer o pré natal e o parto lá. Então eu cedi e sugeri que fôssemos pra casa e orássemos a respeito antes de tomar qualquer decisão.

O CONSELHO

Chegamos em casa, cantamos um hino e escrevemos num papel as nossas opções. 1 – Ir para o hospital onde faria a cesárea, 2 – Ir no hospital sobre o qual havíamos pesquisado pra ouvir uma segunda opinião e 3 – Ligar para o medico pedindo mais um dia de prazo. Decidimos que só tomaríamos alguma atitude quando tivéssemos o mesmo sentimento. Nos ajoelhamos e fizemos uma oração pedindo que o Senhor nos guiasse. Pude sentir claramente que a ordem era 2, 3 e 1. Escrevi num pedaço de papel e o Thiago escreveu também e quando mostramos um pro outro, tivemos paz e certeza de que deveríamos ouvir outra opinião.

A DECISÃO

Colocamos tudo no carro e fomos para o hospital público. No momento que chegamos lá eu senti paz. Fomos muito bem atendidos e contamos nossa história. Enquanto esperávamos, falei com uma amiga minha que era enfermeira lá. Ela ligou para as colegas dela e falou que estávamos lá, fugindo de uma cesárea. Kelly foi a enfermeira obstetriz que nos atendeu. Um verdadeiro anjo. Ela disse que poderíamos esperar mais uma semana ou induzir o parto naquele dia. Depois de tanta pressão e estresse, escolhemos induzir. Então ela nos mandou para um lugar onde fazem auriculoterapia e escalda pés. Fiquei lá, relaxando, recebendo massagens e tentando não pensar na cesárea.
Então liguei pro medico, para pedir pra ele esperar até o dia seguinte, pois tinha medo da indução não dar certo. Quando liguei ele me disse que não esperaria, que o coração dela estava ocilando nas duas consultas anteriores e que ele achava que ela não resistiria ao parto normal.  Desliguei o telefone quase chorando e decidida a fazer a cesárea. Tudo o que eu queria era o bem da minha filha. O Thiago sugeriu que escutássemos o coração dela antes de irmos embora. Esperamos mais uma hora e  eu fui para o banheiro fazer uma oração perguntando o que deveria fazer. Antes de terminar a oração eu ouvi claramente “Você já recebeu sua resposta na bênção. Por que pergunta de novo?” Quando fomos atendidos, ouvimos o coraçãozinho dela e estava perfeito. A enfermeira até riu e disse “essa escola de samba aqui? Ela está ótima!”. Finalmente internamos e fomos fazer um eletrocardiograma, que monitoraria o coraçãozinho dela por 30 minutos pra garantir que estava tudo bem. O exame deu excelente e eu senti paz novamente.

O PARTO

Induzimos o parto as 19h do dia 22. 4 horas depois não tinha evoluido nada. As 3 horas minha bolsa rompeu e eu estava com 2 cm de dilatação. As contrações começaram e doíam muito, mas eu estava feliz por sentir aquela dor, pois sabia que significava que meu corpo estava reagindo e que eram as promessas do Senhor se cumprindo. Passei a noite em claro, gritando de dor, caminhando e ficando no chuveiro. As 6 da manhã estava exausta e só tinha 4 cm de dilatação. Eu caminhava, vomitava de dor, mesmo sem ter nada no estômago e tentava respirar fundo. Fui acompanhada por uma doula, uma psicóloga e enfermeiras maravilhosas, todas anjos que me ajudaram muito.
As 10 da manhã eu não aguentava mais e pedi anestesia. Meu trabalho de parto estava lento e já tinha muitas horas que eu estava perdendo liquido. Me deram anestesia as 11 da manhã do dia 23 de janeiro. Foi uma dose baixa, só pra eu conseguir dormir um pouco. Junto com a anestesia, me deram soro com ocitocina pra acelerar o processo. Dormi por 2 horas, e foi o suficiente pro meu corpo relaxar e a Bella descer e encaixar. Acordei as 13 horas com dor de contação novamente. Decidi andar um pouco, mas quando cheguei no corredor, a bomba de ocitocina ficou sem bateria. Enquanto as enfermeiras resolviam o problema falei com a doula “Preciso fazer cocô”. Mal sabia eu o que isso significava. Me levaram de volta pro quarto e eu já conseguia controlar a dor melhor. Fiz alguns agachamentos e já me colocaram na posição de cócoras, com o Thiago sentado atrás de mim me apoiando. Eu não entendi o que estava acontecendo, achava que ainda faltavam umas 5 horas pra ela nascer. Então a doula passou na frente e disse “olha, to vendo o cabelinho dela!” Eu assustei! “Ela ta chegando?” A enfermeira já se posicionou e foi preparando tudo. Fechou as cortinas pra deixar o quarto com pouca luz e me acalmou e disse que eu conseguia. O Thiago me abraçou e o meu pai me deu a mão e a Bel (doula) me deu a mão também.
Empurrei umas 5 ou 6 vezes e ela nasceu. Veio direto pro meu colo, e ficou comigo por mais de uma hora. O Thiago cortou o cordão umbilical e ela mamou. Eu e Thiago choramos muito, não só pela emoção do nascimento, mas principalmente por ver as promessas do Senhor se cumprindo. Senti Ele comigo o tempo todo, e sabia que ela estava bem e nasceria saudável. Tivemos que lutar contra o sistema, contra o medico, contra uma cesárea eletiva, com nossas famílias e até com nós mesmos. Sem dúvida foi a maior prova de fé que já passamos, mas nos fortalecemos e crescemos muito.














Meus anjos!









sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um agradecimento

Ao meu marido

As vezes sinto que meus "muito obrigadas"e "vce é um anjo" não são suficientes pra expressar a enorme gratidão que sinto nesse momento.

O nascimento da nossa Bella só me fez te amar mais. Você pariu comigo e sofreu comigo e sentiu muita alegria comigo. Obrigada pela paciência, caminhadas, massagens, madrugada em claro. Por me segurar e dizer palavras de incentivo na hora mais difícil.

Obrigada por levantar de madrugada pra acalmar ela quando estou exausta e por ser paciente quando preciso de 2 minutos pra me preparar pra amamentar. Obrigada por trazer comida e água pra mim o tempo todo, mesmo quando eu não quero. Por me acompanhar em tudo e segurar nossa pequena na hora de tomar vacina. Obrigada por me amar, e dizer que estou bonita, mesmo quando estou um caco. Obrigada por me dar remédio e cuidar dos meus pontos. Obrigada por cuidar da roupa e limpar a casa.

Obrigada por me amar incondicionalmente e ser esse marido maravilhoso, e agora, pai maravilhoso!!! Eu não seria nada sem você, sem seu apoio e sem seus cuidados.

Te amo pra sempre.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A (longa) espera da Bella



Este post não é pra falar sobre parto, ou sobre minha decisão de respeitar o tempo da minha filha. Nem entro nesse assunto porque sei que é polêmico e cada um tem sua opinião a respeito. Este post é pra falar sobre a espera, as experiências que tenho vivido e externar um pouco deste turbilhão de sentimentos que até agora temos guardado só pra nós.

O último mês de gravidez foi LONGO. Parece que o tempo parou só porque a data dela nascer se aproximava. Essa ideia de que tem que estar com tudo pronto com 36 semanas pra mim foi péssima, porque quando tudo finalmente ficou pronto (mais ou menos 37-38 semanas) eu já não tinha mais nada pra fazer e passei a literalmente esperar nenê. E a situação é a seguinte, acordo todos os dias, vejo as roupinhas, lacinhos e bercinho dela e começo a imaginar como vai ser quando minha bonequinha estiver aqui com a gente. Fico louca porque de fato só falta ela. Depois de 9 meses vc já está louca pra ficar livre da barriga e conhecer esse serzinho que já ama tanto.

Quando optamos pelo parto mais natural possível, sabíamos que enfrentaríamos essa ansiedade de "pode ser a qualquer momento", mas eu não sabia que seria tão difícil assim. Chegou a semana da data prevista do parto e todo mundo ansioso... Nós, nossos pais, irmãos, amigos, avós, tios... e a data passou e bateu a frustração. Cadê a Bella? Na consulta o médico novamente deu parabéns e disse que estou cuidando muito bem dela e ela está tão saudável que não tem motivo nenhum pra antecipar as coisas. Vamos esperar. Vem aquela felicidade de saber que ela continua bem e saudável e aquela angústia de não saber quando vai ser.

Essa última semana se arrastou. Cada dia uma nova expectativa. Cada contração uma luz no fim do túnel. Tem momentos que fico super tranquila, porque sei que ela está bem e que vai chegar na hora dela, mas tem momentos que bate a insegurança e o medo do desconhecido (afinal, nunca fiz nada disso - não sei o que esperar), e choro e me sinto incapaz.

Mas posso afirmar mais uma vez que tenho aprendido muito com esse desafio. Mais uma vez, tenho que me lembrar de que Deus está no controle das coisas e que Ele sabe o que é melhor pra nós e nos ama. Confiar Nele as vezes não é fácil, porque temos uma visão limitada e anseios e medos, mas é nesses momentos que precisamos exercer nossa fé. Ele nos dá desafios e fraquezas pra aprendermos e crescermos; nenhum sofrimento, lágrima, oração e súplica é em vão.

Mais uma vez sou grata pelo marido sensacional que tenho. Que desde o início participou de todos os momentos, consultas, ultrassons, sentiu ela mexer, cantou pra ela, assistiu um milhão de documentários e leu incontáveis artigos, aprendeu a montar e desmontar o carrinho comigo e me deu colo todas as vezes que precisei chorar. Durante esses desafios me aproximo mais dele e do Pai Celestial. Me sinto tão abençoada de ter um marido tão bom e saber que ele vai ser um paizão pra minha princesinha.

Agradeço o apoio de amigos e familiares. Sei que muitos estão ansiosos assim como a gente. Mal podemos esperar pra ver nossa Bella e pegar ela no colo. Prometo que quando ela nascer, todos vão saber. Essa menininha já é muito amada. Obrigada pelo carinho! (: