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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Lucas


 Não acredito que ainda não escrevi nada sobre nosso tão esperado menino. Já passamos da metade da gravidez e ainda sinto que estamos no início. Passa tão rápido...

Descobrimos que ele estava a caminho dia 30 de abril, uma semana depois de nos mudarmos pra nossa casa nova! Uma época de muito stress e alegria misturados, uma verdadeira montanha russa. O timing foi perfeito, já que eu passei muito mal depois.

Foi uma gravidez planejada e muuuuito esperada, diferente da Bella, que foi nossa melhor surpresa! Depois que tivemos a Bella, decidimos não evitar mais filhos e deixar que o próximo viesse "naturalmente". Fiquei bem tranquila porque só voltei a menstruar quando ela fez 11 meses, que eu achei que seria o momento perfeito pra engravidar novamente. Os meses foram se passando e nada de eu conseguir engravidar. Fiquei muito frustrada algumas vezes. Meu ciclo ainda era irregular, variando de 45 a 55 dias. Fiz de tudo para aprender sobre meu ciclo e observar os sinais do meu corpo. Apesar de saber que amamentar não previne gravidez, eu finalmente decidi fazer o desmame da Bella quando ela fez 2 anos, aproveitando que estava no Brasil e tinha ajuda e acesso a hospitais, afinal 2 anos era a minha meta e eu não sabia se aquilo poderia estar me impedindo de engravidar.

Eis que poucos meses depois eu estava insuportável, super irritada e impaciente. Thiago estava tomando banho e eu decidi fazer um teste de gravidez. Passado alguns minutos, vi uma segunda listrinha beeeem fraquinha aparecendo. Meu coração parou. Nem me lembrei que tinha mil planos de como  contaria para o Thiago quando finalmente engravidássemos. Abri a cortina do chuveiro e falei "Você está vendo 2 listrinhas?" Ele respondeu que sim, sem entender "isso é teste de ovulação?" e eu disse que não. Não sei qual de nós dois ficou mais em choque. Depois de 1 ano e 3 meses de espera, finalmente um resultado positivo!!!

Diferente da Bella, descobri bem no início e sabia exatamente a data do último ciclo, que bateu certinho com a data do ultrassom. O primeiro semestre foi muito difícil. Como na gravidez da Bella, fiquei muito muito muito cansada e com pressão baixa, causando alguns desmaios. Mas diferente da Bella, tive MUITO enjôo. Até 13 semanas senti enjôo todos os dias, tive aversão a algumas comidas e até passei mal algumas vezes. Nada divertido. A Bella foi um anjo nesse tempo, porque eu não tinha energia nenhuma para brincar com ela e o Thiago foi um santo por me aguentar e ter paciência comigo.

Vou deixar para contar sobre o segundo trimestre no próximo post, já que tem viagem pro Brasil, descoberta do sexo e muito mais energia, mas aqui vão algumas fotos gostosas da gravidez até hoje.













segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Desmame

Querida filha,

hoje foi um dia difícil para mim. A realidade é que nunca imaginei que passaria por isso, não foi assim que planejei. Hoje te amamentei pela última vez.

Há alguns meses, percebi que essa hora estava chegando. Sempre sonhei em te deixar mamar até você não querer mais, mas por vários motivos, decidi que era a hora. Tentei iniciar o desmame da forma mais natural e tranquila para nós. Tirei meu leite e misturei com leite de vaca algumas vezes para você começar a aceitar tomá-lo. Diminui as mamadas, conversei com você, te dei amor e carinho em todos os momentos. Seu pai entendeu e me apoiou e ajudou muito. Foram muitos meses nos preparando para esse momento.

Chegamos ao Brasil e você já estava mamando apenas uma vez por dia. Eu decidi aproveitar o suporte da família aqui para te distrair e me ajudar a não ceder. A verdade é que amo te amamentar. São momentos tão nossos, tão deliciosos... uma troca de olhares, carinho, são hormônios liberados, é uma coisa mágica.

Consegui passar 5 dias sem te amamentar. Você pediu algumas vezes, mas não insistiu, porque já entendeu. Claro que isso resultou em leite empedrado, dor, muita dor, peito quente e um certo desespero. Aliviei como pude, mas acabei decidindo pedir ajuda em um banco de leite.

Poucas horas antes de eu ir ao banco de leite, estávamos nós duas no quarto. Você estava distraída, eu ohei pra vc e senti "essa é minha última chance" e perguntei " filhinha, você quer mamar?" Nunca vou esquecer o brilho nos seus olhos e seu sorriso, enquanto você se atirava em meu colo e arremessava o bico longe dizendo "é! mamá!" Você mamou, eu chorei. Chorei e choro só de lembrar. Tirei uma foto para registrar esse momento doce e dolorido e me preparei.

Chegando ao banco de leite, não conseguia conter as lágrimas. Todo mundo olhava pra mim e não devia entender nada, afinal eu era a única sem um bebê e chorando sem parar. Quando a enfermeira me chamou e perguntou como podia me ajudar, eu desabei. Chorei tanto que não conseguia responder. Entre lágrimas e soluços, os olhos inchados, respondi "preciso secar meu leite". Chorei mais ainda, parecia criança. Ela me olhou preocupada e perguntou "por quê? Você perdeu o bebê?" Respondi que não, que minha filha tinha 2 anos e chorei por mais 10 minutos sem parar. Ela esperou pacientemente eu me acalmar antes de me atender.

Fizemos todo o processo de tirar o leite, compressa fria e enfaixar os seios e ela me reafirmou que eu já tinha feito o melhor que eu podia e que tinha te dado o melhor alimento do mundo por dois anos. Saí de lá em paz. Senti tristeza, mas muita paz e sensação de dever cumprido (fora o alívio de não sentir mais dor).

Acima de tudo, filha, sinto orgulho de nós duas. Nós conseguimos!!!! E não foi fácil, não é? Doeu muito no início, precisei de paciência, depois você perdeu o interesse e eu insisti. Passei por leite empedrado, febre, momentos de dúvida, "pouco leite", palpites, muitos palpites... Foram 6 meses de leite materno exclusivo, 1 ano em 2 meses em livre demanda de dia e de noite, 1 ano e meio sem qualquer outro leite, 2 anos de leite materno.

Quero que você saiba que te dei o melhor de mim, o máximo que pude e que vou sentir muita saudade desses nossos momentos. Tenho certeza que eles nos aproximaram muito, mas daqui pra frente teremos outras formas de nos aproximar e criar laços. Será uma nova fase para nós duas! Obrigada por sua paciência e por me ensinar tanto!

Te amo, minha filhinha. Pra sempre.

pedi pro Thiago tirar essa foto há mais ou menos um mês para que sempre possamos nos lembrar da alegria desses momentos.





sexta-feira, 15 de abril de 2016

Conflitos

Li uma frase uma vez que dizia que por trás de cada texto bonito existe um escritor sofrendo.
E é verdade. Sinto que escrevo muito melhor quando estou sofrendo. Já fazem algumas semanas que algumas frases chegam à minha mente constantemente, frases prontas, pedindo para serem escritas. Muitas vezes me sentei na frente do computador, abri um novo arquivo e parei. Parei porque tenho me esforçado para só fazer, falar e atrair coisas positivas.
Esse não vai ser um post negativo. Mas vai ser um post sobre meus dilemas. Não sei qual será a conclusão, mas sei que preciso tirar isso do peito. E aposto que muitas mães vão se identificar com o que tenho sentido.

Final de semestre é sempre mais complicado. O Thiago fica sobrecarregado com muitos trabalhos, provas, artigos e acaba ficando menos presente aqui em casa. Com isso, preciso me desdobrar para dar conta de tudo, inclusive fazer a rotina da noite com a Bella sozinha, depois limpar a cozinha, tirar o lixo e tudo que toda dona de casa faz. Não estou reclamando, pelo contrário. Sou muito grata por ter um marido que sempre divide essas tarefas comigo. Para completar, essa é a época em que ele mais precisa de apoio emocional.

Um dia desses, estava aqui sozinha com a Bella. Já eram 7 da noite (horário que normalmente a Bella vai para a cama), ela tinha pulado a soneca da tarde, se recusado a comer sopa, fruta ou qualquer outra coisa e eu estava fazendo mingau (minha última esperança de fazer a menina comer). Acho que estava fazendo tudo no modo automático porque quando me dei conta da cena, eu estava com a roupa toda suja de sopa, o cabelo há dias sem lavar, preso num coque que doía minha cabeça, misturando uma panela de mingau, com a Bella esgoelando no meu outro braço, e a cozinha parecia cena de guerra. Ela tinha tirado TODAS as panelas, toalhas e comida ao alcance dela dos armários e estava tudo no chão.

Comecei a chorar. Misturava o mingau, cantava pra Bella e chorava. Minha coluna doía, minhas olheiras estavam profundas. Bella ainda mama 4 vezes de madrugada. Tudo o que eu queria naquele momento era fugir.

Comecei a me questionar em que momento aquela tinha se tornado minha vida. Quando foi que abri mão dos meus sonhos para fazer esse papel? Não fui criada pra isso e não planejei isso. Por que eu estava ali, sendo que meus planos incluíam ser jornalista do The New York Times?

De alguma forma, encontrei forças para dar banho na Bella, ler livro, dar mamá e fazê-la dormir. Fechei a porta do quarto silenciosamente e presenciei o início de uma batalha interna. Parei para pensar na minha vida, no meu passado, presente e futuro. Em tantas mudanças, em tantas incertezas.

Me senti tão em último plano. Senti que havia abdicado tanto de mim. Mal me encontrava internamente. Mal sabia quais eram meus sonhos agora. Senti um vazio. Provavelmente tinha a ver com fome e cansaço, mas era algo mais.

Quando viemos para cá eu sabia que viveria alguns anos para apoiar meu marido e cuidar dos meus filhos. Não teria família perto e nunca quis terceirizar a educação dos meus filhos. Além disso meu visto de acompanhante não me permite estudar ou ter um emprego. Eu sabia disso tudo. Já havia conversado sobre isso com o Thiago várias vezes, mas concordei que era um sacrifício que valeria a pena. Sabia que seria difícil, porém necessário.

Foi então que hoje me lembrei de uma conversa que tive com uma querida amiga. Amiga da minha mãe, mãe dos meus amigos, minha amiga. Ela me disse "você está preparada para viver os próximos anos na sombra do seu marido?" Inicialmente a pergunta me assustou, não estava vendo a situação dessa forma. Eu disse "não sei, acho que sim". E ela me disse "Não é fácil. Você vai se sentir como um nada ás vezes. vai se esgotar e chegar ao seu limite e quando pensar no seu dia vai parecer que não fez nada. Você vai ficar mais cansada do que qualquer pessoa que trabalhe fora. Você não vai ter o reconhecimento que teria em outro lugar." Quando ouvi aquilo tudo, quase parti para a defensiva, foi quase uma ofensa para mim. Mas antes que eu pudesse responder ela completou "O seu trabalho demora para dar frutos. Ele é o mais difícil e o mais cansativo, mas também o mais recompensador, o mais bonito, o mais digno. Você vai demorar anos para sentir que o seu dia valeu alguma coisa, mas pode ter certeza que está fazendo o melhor trabalho do mundo."

Acho que não preciso dizer mais nada.

Sei que vou continuar tendo dias difíceis. Sei que posso ter minhas conquistas em paralelo com essa vida de mãe. E, deixem-me deixar claro, EU TENHO.  Ainda busco meus sonhos e ainda me realizo. Mas todos nós temos momentos de fraqueza. Em alguns momentos da vida eles são mais frquentes do que os de conquistas, mas provavelmente é nesses momentos que eu estou fazendo o melhor trabalho do mundo.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

1 ano já?

E foi em meio a tantos gritos, uma dor excruciante, e um tremendo alívio que a conheci. Senti ela sendo colocada sobre meu peito, senti o melhor cheiro do mundo, ouvi o chorinho dela e chorei junto "eu consegui". Todo o amor que tinha crescido junto com a barriga se multiplicou por milhões naquele momento. Tudo doía, mas sentia a maior alegria da minha vida. Senti um beijo no meu rosto e ouvi meu marido dizendo "é a Bella, amor! Você conseguiu!"

E já faz 1 ano. Então hoje comemoro o primeiro ano de vida da minha princesa. Ela é alegre, engraçada, carinhosa, doce e bravinha ao mesmo tempo. Tem tanto de mim e tanto do Thiago. Ela é dona dos cílios mais longos, do nariz mais perfeito, e dos gritos mais agudos. Ela é a minha companheirinha, minha ajudante, minha boneca. Ela me traz mais alegria do que eu jamais pensei ser possível. Esse 1 ano me mostrou tanto... Esse 1 ano tem que ser celebrado.

Mas além de celebrar a vida da Bella, hoje também faço 1 ano. Meu primeiro ano como mãe foi lindo. Foi mais tranquilo do que esperava, mas foi desafiador e intenso. Aprendi que tenho instintos e devo confiar neles. Eu sei o que é melhor pra minha filha mais do que qualquer blog, vídeo do youtube, avó, tia, parente, amiga, médico. Aprendi que amamentar é mais do que fornecer alimento. Aprendi que ela cresce um pouco todos os dias e que cada dia é único e não volta. Aprendi que não existe nenhum método melhor do que o amor. Amor, amor, amor. Se não está dormindo, se não quer comer, se só quer colo, se quer mexer em tudo... o amor resolve tudo. Aprendi o significado de consistência, de paciência, de cansaço, de orgulho.

Então hoje comemoramos o primeiro ano da nossa família de 3. Com muito leitinho da mamãe, conseguimos chegar a 1 ano de leite materno exclusivo, praticamente 1 ano sem açúcar (tirando os episódios que os avós deram, né?), 1 ano sem televisão, 1 ano com muitos, muitos livrinhos, 1 ano com muitas brincadeiras, 1 ano de muitas viagens, 1 ano de muitas experiências, 1 ano de muita risada.

Bella já tem 2 dentinhos, adora a sopinha que eu faço, adora vaquinha, ama ficar com o papai e a mamãe juntos, já viajou para Caldas Novas, Barra do Guaicuí, Pouso Alegre, São Paulo, Florida, Maceió, Huntsville e Belo Horizonte, é magrinha e bunduda, ama tomar banho e nadar, faz sinal de mamá, acabou e banho, fala "papai", "mamãe", "nenem", "baba"(bubu), "esse" e"não".


English Version

And it was among so many screams, excruciating pain, and such a relief that I first met her. I felt her being placed on my chest, I felt the best scent in the world, I heard her little cry and cried together "I did it". All the love that had grown along with my belly multiplied by millions at that moment. Everything hurt, but I felt the greatest joy of my life. I felt a kiss on my face and heard my husband saying "it's Bella, honey! You did it!"
And it's been one year. So today I celebrate the first year of my princess. She is happy, funny, cuddly, sweet and a little angry at the same time. she has so much from both me and Thiago. She owns the longer eyelashes, the most perfect nose, and the loudest shrieks. She's my little companion, my helper, my doll. She brings me more joy than I ever thought possible. This one year has shown me so much ... This one year has to be celebrated.
But besides celebrating Bella's first year, today I also must celebrate my first year as a mommy. And it was beautiful. It was quieter than I expected, but it was challenging and intense. I've learned that I have instincts and that I must trust them. I know what's best for my daughter more than any blog, youtube video, grandmother, aunt, relative, friend or doctor. I've learned that breastfeeding is more than providing food. I've learned that she grows a little every day and that each day is unique and never comes back. I've learned that there is no method better than love. Love love love. If she's not sleeping, not eating, if she only wants to be held, if she is playing with everything in the house... love solves everything. I've learned the meaning of consistency, patience, exhaustion and pride.
So today we celebrate the first year of our family of 3. With lots of mommy's milk, we were able to reach 1 year of exclusive breastfeeding, almost one year without sugar (apart from the episodes with her grandparents, right?), 1 year without TV, 1 year of many, many story books, 1 year of many activities, 1 year of many trips, 1 year of many experiments, 1 year of much laughter.
Bella already has two teeth, loves the soup I make for her, loves cow, loves to stay with Dad and Mom together, has traveled to Caldas Novas, Barra do Guaicuí, Pouso Alegre, Sao Paulo, Florida, Maceio, Huntsville and Belo Horizonte, is skinny but has a big butt, love taking baths and swimming, can use the signs: "milk", "all done" "bath" and says
"papai" (dad), "mamãe" (mom), "nenem" (baby), "baba" (pacifier), "esse" (this) and "não" (no).


























Parabéns pra minha boneca, nosso pacotinho de amor! <3 Sou muito grata e feliz por ser sua mamãe.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Não quero sobreviver

Hoje eu e Thiago passamos muito tempo conversando sobre nossa vida, nossas conquistas e desafios. Temos só 4 anos e meio de casados, mas parece que já vivemos tantas coisas juntos... Temos nos sentido muito felizes, abençoados e realizados nesses últimos anos, mas já aguentamos muitos desafios.

2012 e 2013 foram anos difíceis. Recompensadores, com certeza, mas MUITO difíceis. Nós dois estávamos fazendo faculdade e trabalhando muito. Nos víamos das 23:30 às 06:00, eu trabalhava sábado e domingo era dedicado a serviços na igreja. Adorava dar aulas, mas comecei a trabalhar demais. O Thiago chegou a fazer 13 matérias em um semestre, mesmo trabalhando. Perdíamos infinitas horas no transito, o que era estressante. Era bom, produtivo, necessário e importante. Mas um dia eu percebi uma coisa que mudou minha vida.

Eu estava vivendo em função de férias e fins de semana. Vivendo não. Sobrevivendo.

Percebi que certas coisas que eu estava fazendo não me traziam alegria nenhuma. Percebi que passava a semana inteira desejando que meio dia de sábado chegasse logo.  E então decidi que não queria mais viver assim. Não queria que minha vida passasse e todos os momentos bons se resumissem em sábados e férias.

A felicidade é uma escolha. É um estado. Mas se há alguma coisa que possa afastá-la nós temos o poder de mudar. Foi então que eu mudei. A mudança começou de dentro. Decidi ser feliz. Depois de tomar essa decisão, comecei a procurar coisas na minha vida que eu podia mudar para ter ainda mais alegria. Passei a dar menos aula e fotografar mais. Diminuiu nossa renda, mas percebi que dinheiro não é sinônimo de felicidade MESMO. Emagreci 8 kg. Não há nada como nos sentirmos bem com nosso corpo... Passei a focar mais nas coisas simples que eu gostava no nosso dia-a-dia, como pedir pizza a noite e ver 10 minutos de filme com o Thiago antes de dormir, ir na casa dos meus pais, dos meus avós, almoços de domingo na casa da minha sogra... Passei a dizer mais não para as coisas que não me agradavam. Fiz planos para poder parar de dar aulas, já que era uma coisa que tinha se tornado mais desgastante do que prazerosa.

Aprendi a viver.

Atualmente, quase todos os dias, quando o Thiago chega em casa, ele dá janta para a Bella, damos banho, lemos um livrinho, dou mamá, fazemos oração e ele coloca ela para dormir. Depois vamos ficar juntos um pouco e quase todos os dias um de nós fala "amo nossa vida". E não é porque nossa vida é perfeita. Não é. Definitivamente não. Brigamos, choramos, passamos apertos e tudo. Mas sempre que eu percebo que estou louca para a semana acabar ou para as férias chegarem, eu me pergunto o que eu poderia ter feito diferente naquele dia para não precisar de fim de semana. É uma constante avaliação, constante mudança e constante busca.

Acredito que essa experiência de viver é única e não deve ser desperdiçada. Todos podemos ser felizes todos os dias. Não quero só sobreviver. Quero viver. Quero viver intensamente.








quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Gratidão

Hoje é Thanksgiving aqui nos EUA, um dia para reconhecer e agradecer. Então hoje eu decidi reconhecer os maiores ensinamentos dos meus pais. Foram muitos, mas decidi listar os principais.

Trabalho e dedicação
Aprendi pelo exemplo dos meus pais que não devemos medir esforços para alcançar nossos objetivos. Vi meu pai e minha mãe trabalhando arduamente dentro e fora do lar para proverem o melhor para a família. Vi os dois trabalhando de dia e estudando a noite, revezadamente, para nos darem educação, comida e casa e ainda assim, estarem  presentes na nossa vida, cuidando, amando e prontos para nos ajudar.

Honestidade e transparência
Minha mãe sempre me ensinou que mentira tem perna curta e as poucas vezes que menti quando criança, percebi que era verdade, porque ela sempre descobria. Mas eles me ensinaram também que honestidade é mais do que falar a verdade. É não se aproveitar de uma situação para tirar vantagem, é não omitir e é não dever nada para ninguém. E eles são grandes exemplos disso para mim.

Autossuficiência
Meus pais aprenderam muito cedo e com bastante sofrimento o valor da autossuficiência e nos ensinaram a buscá-la o tempo todo. Por muitos anos minha família teve dívidas para pagar. Foi necessário muito sacrifício, trabalho e desprendimento para conseguirem quitar tudo. E não tem sensação melhor do que dormir com a consciência tranquila. Aprendi que essa é uma busca constante e que muitas vezes precisamos abrir mão de mordomias para alcançá-la.


Muitas vezes meus pais nos pediam para orarmos pedindo por alguma coisa. Meu pai dizia que "oração de criança é mais forte". Acho que é porque as crianças não tem medo e acreditam cegamente no que querem. Dessa forma aprendi que quando queremos alguma coisa justa e lutamos por ela, ela se torna possível.

Amor e perdão
Ao ver o amor que eles tem um pelo outro, aprendi o valor do amor. Aprendi que amor incondicional está vinculado a perdoar o tempo todo. Aprendi que devemos dar e receber amor o tempo todo e que é o sentimento mais nobre do mundo.

Respeito
Não importa quem seja, aprendi que devemos respeitar as diferenças. As pessoas têm opiniões e realidades diferentes e não precisamos sempre concordar, mas devemos sempre respeitar.

Família
Aprendi que a família é o nosso maior bem. Aprendi a honrar, amar e respeitar meus pais e que meus irmãos são meus melhores amigos. Aprendi que eles são diferentes, muito diferentes e que, mesmo discordando, devemos nos apoiar, ajudar, respeitar, amar e perdoar. Aprendi que justiça nem sempre é igualdade. Sei que na família é onde encontramos maior felicidade e realização. Vi meus pais lutando por isso e vejo isso hoje na minha família que se inicia. Talvez por isso queira ter tantos filhos... Por ter tido os melhores companheiros e amigos na minha infância, desejo o mesmo pros meus filhos

Sou eternamente grata aos meus pais por tanto sacrifício, tantos ensinamentos e tanto amor. Sei que as famílias podem ser eternas e o meu maior desejo é poder ficar com eles para sempre.